Boletim Semanal | nº 723 | 03/03/2022

Artigo investiga as resistências de comunidades de baixa renda em Porto Alegre

Com o objetivo de verificar como diferentes territórios seguiram resistindo à pandemia de Covid-19 e lutando pelo seu direito à cidade, integrantes do Grupo de Pesquisa em Direito Urbanístico e Direito à Cidade da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP/RS), vinculado ao Núcleo Porto Alegre do Observatório, produziram o artigo "A luta pelo direito à cidade e as resistências à COVID-19 nas periferias: o poder explicativo da escala, do associativismo e da localização territorial em Porto Alegre". A pesquisa incluiu territórios de diferentes escalas, localizações territoriais e graus de organização no município, a partir de entrevistas de caráter amostral com lideranças comunitárias. Os autores concluem que fatores como cultura de associativismo, história dos assentamentos e capacidade de articulação interescalar foram importantes para o enfrentamento da precarização imposta às populações de periferias urbanas durante o período.

A ausência de políticas habitacionais e as condições de moradia no país diante da pandemia

Em entrevista para o Instituto Humanitas Unisinos (IHU), Camila D’Ottaviano, pesquisadora do Observatório das Metrópoles Núcleo São Paulo, falou sobre os problemas habitacionais do país no contexto de ausência do Estado e de políticas públicas específicas. Para a pesquisadora, a defasagem de dados públicos sobre o tema também dificulta a compreensão sobre as reais condições de moradia da população brasileira. Dentre as questões abordadas, D’Ottaviano comentou sobre a urbanização de favelas, despejos, autogestão da habitação e direito à cidade, destacando que o contexto da pandemia escancarou a enorme desigualdade social do Brasil e que as perspectivas para 2022 são ruins. "A expectativa é que despejos que estavam paralisados voltem a acontecer. A ausência de políticas habitacionais e o encerramento do Minha Casa Minha Vida aumentam a perspectiva negativa", afirma.
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