Boletim Informativo | nº 627 | 02/04/2020

Reflexões sobre a pandemia e a democratização dos serviços urbanos

No contexto das epidemias do século XIX e dos problemas ambientais e sanitários das cidade europeias, houve certo consenso entre as elites locais sobre a necessidade de levar saneamento para as mais diversas áreas da cidade, independentemente da capacidade de pagamento dos usuários. Seguiu-se a ampliação das redes de água e esgoto na Europa, capitaneada pelos poderes públicos municipal e nacional e financiadas por tributos arrecadados das elites. Assim, os sistemas de abastecimento de água se consolidaram aos poucos, expandindo a cobertura doméstica integrada a um sistema de esgotamento sanitário. Teria a pandemia atual do coronavírus também o potencial de ser mobilizada em favor da democratização de certos serviços urbanos?

Lavar as mãos? As ocupações e a precariedade habitacional das nossas cidades

A pandemia do coronavírus tem escancarado, de maneira radical, os impactos da desigualdade social e da precariedade habitacional no cotidiano de grande parte da população brasileira. No caso das ocupações, a exemplo da Vila Nazaré em Porto Alegre e da Ocupação José Bonifácio em São Paulo, as condições são ainda mais precárias: as divisórias dos cômodos são provisórias, os banheiros são de uso compartilhado, os espaços são reduzidos, mal ventilados e precariamente iluminados. Com muitas pessoas vivendo num único cômodo, sem instalação sanitária adequada e sem acesso à água tratada, como seguir mesmo as mais básicas recomendações para conter a propagação do vírus?
Nós respeitamos a sua privacidade e somos contra o spam.
Se você não deseja mais receber nossos e-mails, cancele seu recebimento acessando aqui.